PARTILHANDO O PRIMEIRO MÊS DE NOSSA MISSÃO NA ILHA GRANDE
05 de Abril de 2011
Sabemos que nosso Deus, na sua providência e bondade, nos conduz em seus caminhos. Em fevereiro passado, nosso Instituto iniciou uma nova etapa de sua caminhada, passando a atuar na Ilha Grande, localizada no sul do estado do Rio; um verdadeiro paraíso ecológico, com exuberante e transbordante beleza manifestada pelo mar verde-esmeralda de águas límpidas e transparentes, transitadas por golfinhos e tartarugas marinhas, uma centena de praias com características diversas, com sua areia de tons e texturas variados, uma densa floresta de mata atlântica que cobre praticamente toda a ilha, na qual ouve-se o forte brado de bugios (espécie de macaco) defendendo seu clã de rivais, sulcada por cachoeiras e por trilhas que levam a todos os pontos desta rica porção de terra, desde seus picos às praias mais paradisíacas.
Abraçamos esta missão conscientes de suas exigências, mas também e principalmente convictos de um chamado divino, pois o Senhor, no seu cuidado para conosco e solicitude por seu povo, tudo preparou para que lá estivéssemos. Digo com franqueza que eu e o Frei Paulo fazemos a experiência do envio que Jesus fez aos seus discípulos dois a dois ao povo de Israel (cf. Mt 10,5-16). Confiados aos cuidados divinos, encontramos pessoas generosas que nos acolheram e com os meios que possuem favorecem nossa missão na ilha com bastante solicitude, por exemplo, através de alimentação e embarcações que gratuitamente nos levam aos diversos pontos da ilha e do litoral continental mais próximo. Nosso único objetivo e preocupação em meio ao povo é anunciar o Reino de Deus através de nossa ação pastoral e paroquial, nos esforçando por testemunhá-lo com o serviço que buscamos prestar ao Senhor no seu povo. Tudo começou com um convite que Dom Ubiratan, bispo da Diocese de Itaguaí (à qual pertence a Ilha Grande) nos fez, preocupado com a atenção especial que o povo ilhéu precisava. Nosso Instituto, cuja missão é realizar aquilo que a Igreja nos solicitar, no momento propício atendeu a este chamado que, saindo da boca de um Pastor, para nós veio do Senhor.
A realidade que se apresentou a nós é completamente diferente do que vivíamos até aqui. Moramos na Vila do Abraão, a maior da ilha, ponto de chegada da maioria dos turistas que a visitam. Há 12 capelas espalhadas por toda a ilha às quais só se pode chegar via mar (exceto uma, em Dois Rios, onde ficava o antigo presídio, há 10 km da V. do Abraão). Portanto, o uso de embarcações é constante. Aqui, vive-se em maior parte do turismo e em bem menor escala, da pesca. A ilha é freqüentada por muitos turistas, em grande parte europeus e também latino-americanos (argentinos e uruguaios). Assim, sempre se faz necessário “arranhar” um inglês ou portunhol. Conseguimos visitar duas comunidades por semana, nas quais chegamos no começo ou meio do dia. É preciso pernoitar na comunidade, pois só há embarcação para o retorno no dia seguinte. Este fator favorece muito o contato com o povo local, havendo tempo para visitar as famílias, celebrar a missa, realizar formação, reuniões ou atender confissão após a missa; é muito bom também o contato com a família que nos acolhe para dormir, onde podemos conversar bastante, nos conhecer melhor, dar orientações e criar laços. Porém, se a Igreja na ilha tivesse embarcação própria, poderíamos manter esse mesmo ritmo de visitação, podendo ainda celebrar missa aos domingos nas comunidades, o que não fazemos por falta de barco que nos leve e traga de volta “ao Abraão” no mesmo dia, onde há missa aos sábados e domingos à noite, já que no domingo de manhã os turistas passeiam e muitos moradores trabalham.
Encontramos um povo carente e sedento da Palavra de Deus. Somos os primeiros missionários a morar na ilha. A assistência pastoral sempre foi dada por padres do continente que, já tendo suas comunidades locais, se desdobravam para fazer pelo povo da ilha aquilo que estava ao seu alcance. Assim, será necessário todo um trabalho de resgate de muitos dentre os dispersos, o que cremos que, com a graça de Deus, a oração de todos e nossa dedicação, haverá de ocorrer. O que tivermos condições realizaremos, com o auxílio Daquele que nos trouxe e nos capacita a servi-lO nos seus escolhidos. Muito curioso foi o fato de nos adaptarmos rapidamente ao local, dada a identificação que tivemos com ele e o fascínio que exerce sobre nós, pois aqui sentimos intensamente a presença de Deus em meio a esta rica natureza e este povo batalhador.
Entretanto, nem tudo são flores. A juventude está muito dispersa, iludida com falsos atrativos que só a desintegram e afastam de seu Criador.
Certos de que Aquele que iniciou em nós uma obra boa há de levá-la a bom termo (cf. Filip 1,6), nos abandonamos em suas mãos paternais e providentes, com toda confiança, constância e alegria em nossa missão, crendo que “quem nos chamou é fiel e é Ele quem vai agir” (cf. 1Ts 5,24), como tem feito até aqui.Por: Frei Luiz Carlos Rodrigues, I.F.E.
Por Frei José Anchieta Varela
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