Sou missionário do Senhor
31 de Janeiro de 2012
Sou por graça de Deus, um dos fundadores do Instituto dos Frades de Emaús, instituto que tem como carisma também a missão. Atualmente sou pároco da Paróquia São Sebastião na cidade de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Uma paróquia de cerca de 120.000 habitantes. Uma realidade pastoral bastante desafiadora. A Baixada Fluminense é frequentemente citada nos noticiários nacionais devido à violência e pobreza dos seus moradores. Considero a Baixada uma terra de missão. No entanto, sentia um grande desejo de fazer uma experiência em terras amazônicas.
Depois de ouvir o testemunho de outros missionários que lá foram em experiências anteriores e de ter conhecido o bispo Dom Esmeraldo Farias (foi nomeado arcebispo de Porto Velho - RO), que vive com tanto entusiasmo e dedicação a missão, decidi ir também fazer minha experiência. Mas, no primeiro instante veio-me as preocupações com minha paróquia e o instituto. Como sair e deixar tudo? Mas, depois fui convencido de que valeria muito a pena, tudo deixar para viver esta experiência. Sendo assim, eu e o Frei José de Emaús, fomos para Almerim - PA. Ele foi ainda em dezembro de 2011 para participar da primeira etapa e eu fui apenas em janeiro para a segunda.
Havia um grande desejo de ir para a missão, mas havia receio também. Os desafios, e agora posso dizer isso, são muitos. Sobretudo para quem nunca foi à Amazônia. No início da viagem, ainda no Rio Amazonas, agradecia a Deus pelo privilégio de estar navegando por aquele tão belo, imenso e assustador rio. Agradecia por contemplar toda a beleza da floresta e como não agradecer por ser um missionário. Fui para a diocese de Santarém com o apoio dos meus confrades e dos meus paroquianos. Contei com as suas orações e carinho que me fez muitas vezes pensar como é bom pertencer a uma comunidade eclesial.
Chegado a Almerim, fui dias depois para o interior. Fui com um grupo de missionários, todos seminaristas, até então desconhecidos por mim, para as comunidades ribeirinhas. Poucos dias depois nos sentíamos como uma comunidade missionária. Que maravilha conviver com as comunidades do interior. Fomos acolhidos com grande carinho e delas recebemos o melhor. Dava-nos mais do que possuíam e mesmo com suas dificuldades queriam que nossa passagem por ali fosse marcante. Posso testemunhar que encontrei naquelas pessoas uma feição de Jesus que marcou muito minha vida. Fiquei profundamente tocado pela carência de tudo que aqueles ribeirinhos vivem, sobretudo no campo social, mas também religioso/espiritual. Senti-me atraído a fazer algo a mais. Fiz o que pude! Este algo a mais, Deus permita que um dia possa ser feito.
O que vivi naqueles dias marcou meu ministério e certamente tornou-se um marco divisor na minha vida. Voltei apaixonado e renovado. Aqui na minha paróquia e no meu instituto, quero viver mais e intensamente a missão que Deus me confiou até que ele me mande novamente aonde for. Quero apenas ser sensível à Sua voz e responder com generosidade. Fui à Almerim e agora estou de volta. Lá ou aqui, sou missionário do Senhor.
Frei José Anchieta Varela, I.F.E.
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