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Há uma profunda identificação do carisma do Instituto dos Frades de Emaús com a passagem bíblica da aparição de Cristo Ressuscitado aos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35), identificação que inspirou o próprio nome do Instituto.

De acordo com o texto bíblico, dois discípulos de Jesus, saindo de Jerusalém, se dirigem ao povoado de Emaús desesperançados com a sua morte. O Senhor aparece a eles, acompanha-os no caminho não sendo por eles reconhecido, e diante de sua desolação explica a eles tudo o que nas Escrituras, a partir de Moisés e os Profetas, se refere à necessidade de seu sofrimento para que Ele entrasse em sua glória (cf. Lc 24,26s). Convidado a ficar com eles na aldeia, o Senhor acompanha-os, põe-se à mesa com eles, toma o pão, pronuncia a bênção, parte-o e lhes dá. Nesse instante, seus olhos se abrem, eles O reconhecem e Ele se torna invisível. Lembram-se então que seus corações ardiam enquanto o Senhor estava com eles pelo caminho e lhes explicava as Escrituras. Nesse momento, eles partem de volta a Jerusalém para anunciar aos irmãos o acontecido, ouvindo destes que Cristo ressuscitou e apareceu a Simão; e contam também a eles sua experiência com o Senhor no caminho.

Do mesmo modo como os dois discípulos contemplaram a face do Senhor no partir do pão e foram anunciá-Lo aos irmãos, os Frades de Emaús têm o carisma de contemplá-Lo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que os leva a anunciá-Lo aos homens sedentos de Deus, levando deste modo Sua presença neste anúncio, para que, diante Dele os corações também possam arder como uma chama que neles é acesa, a chama da esperança, do sentido da vida, levando-os, por sua vez, a reconhecer todo o seu Senhorio, sua Sublime Divindade na Mesa Eucarística.

O Frei Anchieta e o Frei Luiz, conheceram-se na cidade de São Paulo no inicio de seus estudos de filosofia. A amizade que nasceu entre os dois já era o desejo de Deus de torná-los juntos como amigos e irmãos os fundadores do nosso Instituto. Eles, desde o inicio viram suas vidas orientadas nessa direção e apesar dos temores aceitaram estarem a frente e serem os indicadores desta obra. ‘Nunca pensamos ou desejamos fundar um instituto, mas quando ouvimos da boca de um Bispo que Deus tinha um chamado especial para nós, uma vocação específica , assumimos como palavra de Deus” (Os fundadores). 

Como Frades, queremos levar vida comunitária, conventual e nunca solitária; juntos, numa vida de oração, contemplação e trabalho, nos enriquecer da experiência do Senhor Ressuscitado, para depois e, somente a partir daí, sair para a missão. Para nós, a missão será aquilo que o Senhor, através da Igreja local, nos confiar, seja no serviço pastoral, nas comunidades paroquiais, na animação missionária, na formação dos agentes leigos, catequistas, na direção de cursos, retiros espirituais e obras sociais, inclusive usando os meios de comunicação social. Isso desde que tenhamos recebido tal encargo do bispo diocesano. Portanto, missão é o que pudermos realizar na Igreja, para a maior glória de Deus e bem do seu povo. Não temos um apostolado específico na Igreja, mas o encargo de viver o Santo Evangelho de Nosso Senhor que diz: "cada vez que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim que o fizeste" (cf. Mt 25, 39b). Que os Frades de Emaús sejam disponíveis para o serviço missionário, tanto na Igreja particular onde estiverem estabelecidos, como para ir aonde forem enviados, sempre em comunhão com os Pastores da Igreja.

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